A maioria dos casais chega à terapia quando um evento importante ou uma grande crise acontecem. Muitas vezes resolver essa situação que se impõe é o foco e, geralmente, um dos membros do casal é colocado no lugar de culpado pelo outro. Entendo que uma dor é o combustível necessário para se fazer esse movimento de buscar ajuda e pode parecer pouco dizer o que principal foco da terapia é a comunicação.
É comum que se espere que o terapeuta assuma um lugar de juiz, que diga quem está errado e dê o caminho para mudar essas atitudes e resolver a situação. Mas procurar a terapia de casal é uma oportunidade para cada um assumir a reponsabilidade que lhe cabe na situação e reestabelecer (ou estabelecer pela primeira vez) o diálogo na relação.
Tendemos a valorizar muito o espaço para falar, mas pouco pensamos sobre a importância de ouvir o outro para que um diálogo aconteça. Dificilmente nossa capacidade de ouvir está mantida se estamos em uma postura defensiva, em que o outro é o inimigo que precisamos convencer de algo. Muito menos se a conversa só acontece em situações de briga. Quem consegue ouvir nesse momento?
Nesse sentido, a terapia de casal é um espaço que facilita esse diálogo e o terapeuta alguém que favorece a escuta de ambos, ajudando essa conversa serreestabelecida. A partir disso, pode-se pensar melhor sobre a crise vivida e em possibilidades diante dela.
Então, o momento de buscar ajuda pode sim ser um momento de crise, mas também pode ser antes que ela aconteça. Pode ser no momento em que se percebe que esse espaço para conversas, principalmente as difíceis, não está acontecendo. Quando se percebe que, por mais que se fale, não existe a sensação de ser ouvido pelo outro. Ou que falar com o parceiro gera um desconforto tão grande, que é melhor evitar, sabe?
Essas dificuldades podem ser sinais de que está na hora de convidar mais alguém para participar e intermediar essas conversas, ou mesmo, para ajudar a criar um espaço na relação para que elas possam acontecer.
