Sempre que atendo alguém pela primeira vez faço essa pergunta: Qual sua expectativa em relação a terapia? Já ouvi de colegas que não faz sentido perguntar isso, principalmente depois de ouvir a queixa e o que ela pode me contar em um primeiro encontro, mas discordo e considero fundamental alinhar expectativas.
Apesar de eu mesma não poder responder o que quem me procura pode esperar da terapia, simplesmente porque não sei o que vai acontecer naquele processo e a relação ainda está em construção, sei o que não pode ser esperado. Pelo menos, não por quem busque viver esse processo comigo.
O que você não pode esperar então? Conselhos. Terapia não é um lugar que se vai buscando soluções rápidas e conforto. Pode parecer frio, mas isso não significa que não seja um lugar de acolhimento e de segurança, pontos que considero fundamentais na terapia. Se eles não estiverem presentes, nada acontece.
Não é um lugar de conforto porque, muitas vezes, o que é falado gera mais desconfortos, cuidamos justamente do que não gostamos e não costumamos olhar no dia a dia. Sabe aquela sujeirinha que vai para debaixo do tapete? Aquela que nem lembramos, mas de repente, começamos a espirrar? Pois é, é isso que precisamos fazer, levantar o tapete e ver o que está lá embaixo que pode estar provocando o mal-estar. Com uma particularidade: só quem pode levantar esse tapete, é a pessoa a quem ele pertence.
Então por que ir falar? Primeiro porque falar, por si só, já altera a forma como vemos os acontecimentos. Tem uma diferença importante entre pensar sozinho e falar em voz alta, para outra pessoa, o que se passa dentro da nossa cabeça. Gosto da descrição desse processo de uma psicanalista, Ana Suy, ela diz que fazer terapia é marcar um encontro consigo mesmo através da escuta do outro.
Claro que você não estará, também, falando com um espelho ou uma parede, as trocas acontecem. A diferença é que elas são direcionadas no sentido de ampliar a consciência sobre o que está sendo trabalhado e as possibilidade de ação. O que não, necessariamente, acontece em uma conversa com um amigo, por exemplo.
Esse é um esboço de uma resposta sobre o que pode ser esperado na terapia individual. Usando mais uma metáfora, tentando resumir: espere ter alguém caminhando ao seu lado por um caminho desconhecido, mas segurando uma lanterna. Essa pessoa não vai te dizer por onde seguir, mas ajudar a enxergar algumas possibilidades.
