Psicologia Clínica com crianças

É difícil pensar nesse cenário, principalmente quando se trata dos nossos filhos, mas crianças também sofrem e, algumas vezes, independente do que os pais fazem para que isso não aconteça. Claro que em alguns casos o sofrimento da criança pode estar relacionado com a dinâmica familiar ou com algum evento relacionado a família, mas isso não é uma regra. Em ambas as situações, a terapia pode ser uma forma de ajudar a criança que está em sofrimento. 

Isto porque, pode ser um espaço seguro para que ela falar ou elaborar, por meio da brincadeira, questões que podem estar sendo difíceis para ela lidar sozinha. 

Sei que pode ser difícil imaginar como seria uma psicoterapia de crianças e algumas dúvidas são muito comuns. Cada profissional vai entender a psicoterapia de uma forma e trabalhar do seu jeito, mas pensando em como eu trabalho, reuni algumas dessas dúvidas para falar sobre elas.

O que acontece nas sessões? A criança vai para brincar?

Sim e não. O brincar da criança na sessão de terapia é diferente do que acontece em outras situações. Primeiro porque o terapeuta não está ali brincando com a criança, mas se utilizando da linguagem mais familiar a ela para se comunicar. A escuta não é a de um parceiro de brincadeiras, mas de alguém que entende que é dessa forma que as questões da criança vão surgir e a conversa vai acontecer. Segundo, porque a própria criança sabe (e garantimos que isso aconteça) que ela está ali por um motivo. Ela sabe que não está em um espaço recreativo, mas com alguém que pode ajudar no que está difícil para ela. A sua queixa é formulada e ouvida, assim como a dos adultos, e ela é o foco dos encontros. Inclusive, a queixa dela nem sempre corresponde a que é trazida pelos seus adultos. 

Como funciona na prática? Os adultos participam? 

As sessões iniciais são feitas somente com os responsáveis pela criança. Os atendimentos podem ser com cada um individualmente ou em conjunto, dependendo da dinâmica e demanda de cada família. Somente depois desses atendimentos iniciais, quando alguma queixa já foi formulada e o vínculo com os adultos começou a ser construído, é que as sessões com a criança começam. Ela só é atendida separadamente se ficar confortável com isso, caso contrário, um adulto participa até que possa ficar sem ele. Depois de algumas sessões de “avaliação” é feita uma nova sessão com os adultos para uma devolução sobre o que foi avaliado e qual a indicação de tratamento. Durante o processo de terapia as sessões acontecem somente com a criança e os encontros com os adultos são marcados de acordo com a necessidade, mas é importante que aconteçam com certa frequência.

Quanto tempo dura o tratamento?

Impossível prever por quanto tempo o atendimento será necessário. Como meu trabalho não se baseia em nenhum protocolo pré-estabelecido, cada criança vai ter um tempo diferente e isso não tem relação com os sintomas ou a queixa trazida. 

Vou saber o que acontece nas sessões?

Não. Apesar de considerar fundamental uma proximidade e participação dos adultos no processo terapêutico da criança, não é dito o que acontece durante as sessões. Assim como no atendimento de adultos, o conteúdo das sessões é sigiloso, com raras exceções. A criança precisa sentir que esse é um espaço seguro e que pode trazer conteúdos que não traria para seus adultos. Isso não significa ficar sem informações sobre o que está acontecendo com a criança e como ela está caminhando na terapia.

Por fim, psicoterapia não é coaching (pelo menos, não comigo). Não espere orientações ou soluções prontas. Nesse processo, estamos juntos para entender o que está acontecendo com a sua criança para juntos, pensarmos o caminho a ser seguido. Não existe o que funciona “para todos” e nem sempre o resultado esperado pelos adultos é o melhor para a criança.

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